Fazer uma análise sobre o comportamento humano ou familiar não é fácil, portanto, me dedico a tentar analisar como funciona a cabeça de um homem, diferenciando do pensamento da mulher em sua maioria das vezes sob o
enfoque familiar.
Num primeiro aspecto, o garoto antes dos seus 8 ou 9 anos cresce em certas situações sendo o espelho da mãe, como por exemplo, aquele menino que ainda depende dela para poder tomar banho ou daqueles que dormem com ela em situações de medo.
O pai nessa história, ainda está como coadjuvante, sempre ajudando no que pode mas sempre com aquele pensamento de que terá um filho que jogará futebol ou correrá de carro e será campeão, sendo assim, já coloca o filho na
escolinha esperando que tudo isso venha a se realizar, todavia, o mesmo observa que o garoto não tem futuro nessa história e já começa a pensar que o menino tem que ser aquilo que ele foi quando era menor ou tem que ser aquilo que ele não foi, mas sempre com o intuito que ele seja o melhor em tudo que ele fizer.
Assim sendo, o pai que era mero coadjuvante passa a ser autor da história e as palavras do mesmo ou perguntas são do tipo:
- Meu garoto, já está querendo sair a noite, deve estar com muitas garotas no pé, que nem o pai quando era mais novo; portanto, o filho se não iniciou, tem que começar logo a procurar as "gatinhas" na rua.
Ao contrário desse comportamento, é o do pai com uma filha, ele nesta fase está mais preocupado se a filha está ou não indo bem na escola e não quer nem saber se ela já arranjou um namorando, uma vez que tal notícia seria o fim da picada, pois como pode a filha dele nesta idade já namorando, mas o filho (homem) dele, pode sair para "pegar" a filha dos outros.
Enfim, passada essa fase, o filho deste mesmo indivíduo (indivíduo este que também teve criações paternalistas em épocas não muito distantes) -, ao sair de sua adolescência e chegar à juventude, por volta dos seus 22 até os 26 anos, quer aproveitar tudo que ele ainda não aproveitou em menos de 5 anos e sai fazendo tudo que lhe dá na cabeça, sem ouvir pai ou mãe, sempre com o intuito de "pegar" a maior quantidade de mulheres que ele puder numa festa e nesta fase, diga-se de passagem, ele não está nem um pouco preocupado com os estudos e o pior, por força de sua criação, machista, também não está preocupado se a garota que ele está "ficando", é ou não é "
certinha".
A menina por outro lado também está mais solta, ou melhor, quer ficar mais solta, não
agüenta mais estudar e estudar, quer sair com as amigas,
paquerar e assim por diante. A mãe, sabe da responsabilidade da filha mas o pai ainda nem sentou com ela para saber se anda tudo bem com ela, tanto na sua vida amorosa quanto na sua vida particular.
De lados opostos, o garoto vai crescendo e ao perceber que agora é hora de levar a vida um pouco mais a sério, ele para e pensa:
- Será que quero casar com uma garota com quem eu saía e fazia todas aquelas
sacanagens no decorrer da vida, ou, será que quero casar com uma garota séria, garota que eu não tenha ouvido falar que era assim ou assado?
Bom, a resposta para esse questionamento é fácil, mas, e a filha, será que é justo ela ter que ser escolhida e não poder escolher com que tipo de homem quer ficar?
Tudo isso meus caros, em face do comportamento machista que possuímos, sem contudo, deixar de observar o comportamento
protecionista da mãe, comportamento correto diga-se de passagem, que muitas vezes tentou
frear de forma ineficaz as tentativas do pai de transformar sua família no espelho que ele é ou que ele queria ser.
Pode-se observar que isso não acontece não só em certas regiões do país, como Nordeste ou Norte, mas também acontece nas regiões Centro-Oeste, Sul, Sudeste, talvez no Norte e no Nordeste esse pensamento esteja mais arraigado, mas não obstante acontece nas demais regiões do nosso país.
Portanto chego a conclusão de que se continuarmos com esses pensamentos e outros mais durante a nossa vida e, se não pararmos para pensar no outro, naquele que está a nossa frente, no companheiro ou companheira, no filho ou na filha, continuaremos a ter casamentos que duram pouco, filhos que não obedecem os pais, sem limites, jovens que estão totalmente perdidos na vida, sem um norte para seguir, famílias comprometidas pelo comportamento ou do pai ou da mãe, famílias sem estrutura, onde não se tem um consenso.
Tudo isso, com
conseqüências que ainda não paramos para pensar,
conseqüências que nos leva a ser um país violento, sem educação, onde as pessoas não levam a sério o trabalho, porque levam mais a sério ir para um churrasco final de semana e beber com os amigos do que ir apreciar o por do sol no final da tarde, ou levar a namorada para jantar, ou quem sabe, ler um livro no final da noite, mas isso é pedir demais e assim por diante.
Por fim, continuaremos do mesmo jeito, até que alguém pare para pensar e analise o comportamento do homem, da mulher e familiar principalmente, pois este último
influencia e muito na vida de uma pessoa.